Drogas.
Quando se pensa no assunto, muitas
pessoas podem relacionar as substâncias ilícitas à camada mais pobre da
sociedade, à criminalidade e a algo muito distante da vida da classe média. Entretanto,
o uso destas substâncias está longe de se restringir a uma camada social, tampouco
podem ser tratadas unicamente como
causas de possíveis comportamentos considerados subversivos. A origem destas
substâncias é histórica, e permeiam o contexto no qual se formaram as
civilizações, de modo que até hoje não existem consensos sobre sua utilização.
Para
comprovar a presença e a venda de substâncias
consideradas ilícitas não apenas nas periferias, realizamos uma enquete
sobre hábitos de consumo de drogas, que foi respondida por 436 pessoas. Dessas,
apenas 16 não completaram o ensino fundamental ou médio, contra 356 pessoas que
cursaram o ensino superior, completo ou não (entre elas, muitas são estudantes
e ainda estão na faculdade), e 19 que estavam cursando ou haviam terminado a
pós-graduação. Do total de entrevistados, vale ressaltar que 254 disseram
utilizar regularmente substâncias entorpecentes. As drogas estão muito
mais presentes nas faculdades, bares, baladas e locais de trabalho do que
parece.
Das drogas consumidas, 304 pessoas afirmaram usar maconha (mesmo que não regularmente) e 131, LSD. A maconha era obtida principalmente na faculdade (19%), na favela (15%) e em bares (12%), na maioria das vezes por meio de amigos (42%). O LSD era obtido majoritariamente em baladas (13%) e na faculdade (10%), também principalmente através de amigos (22%).
Esses dados representam uma pequena parcela da população, visto que a ONU (Organização das Nações Unidas) registra 210 milhões de usuários de drogas ilícitas no mundo. Ainda assim, refletem como a classe média faz parte do mundo das drogas de maneira expressiva. Além de demonstrar a sua inserção nessa realidade, mostram que a faculdade, por ser um local de interação com os amigos, acaba sendo um dos locais preferidos para a compra e venda dos entorpecentes.
As entrevistas em vídeo a seguir, realizadas com usuários de maconha e LSD pertencentes à classe média, mostram como essas substâncias se inserem no cotidiano daqueles que as utilizam:
Entrevista com Guilherme Prescott, representante da Marcha da Maconha de São Paulo
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| Foto: Acervo pessoal |
"Mais de metade da população carcerária está presa devido a pequenos crimes patrimoniais (roubos e furtos) e tráfico de drogas. A população carcerária hoje tem um perfil jovem, de 19 a 25 anos, negro, e advindo das periferias das cidades", analisa Guilherme Prescott, da Marcha da Maconha de São Paulo. Isso acontece porque a Lei 11.343, que instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, não deixa clara a distinção entre usuário e traficante.
Quanto à legislação brasileira, Prescott opina: "Tem que ter uma legalização que se proponha a resolver principalmente o problema da guerra às drogas. Um avanço na liberdade individual tem que ser consequência de um processo de regulamentação que realmente abale as estruturas, não que apenas legalize para um setor da sociedade que hoje, na prática, não enfrenta problemas com a legislação".

